Sobre as dificuldades em ver o óbvio

       Eu sempre acreditei que era uma pessoa sábia e que conseguia ver e reconhecer as coisas e pessoas.  Nesse mês que termina essa minha crença foi brutalmente desconstruída.

       Eu realmente não conheço as pessoas. Nem aquelas que considero minhas amigas nem aquelas que compartilham a minha intimidade. 

   As pessoas sempre podem te surpreender e sempre que puderem não vão pensar duas vezes em fazê-lo. Ou talvez, ao apenas olhar para elas sob uma perspectiva amorosa e confiável a gente acabe por deixar de ver o óbvio: as pessoas estão muito distantes das expectativas que temos a seu respeito, e isso vale tanto para o aspecto positivo quanto para o negativo.

      O "não-ver" talvez seja uma postura mais confortável, que nos permita repousar na falsa tranquilidade de que tudo está bem e que as pessoas estão felizes e satisfeitas, e assim, nos proteger de uma necessária e urgente mudança de atitude e postura diante da vida e das pessoas.

     Enxergar aquela verdade que está se derramando ao nossos pés é um choque, uma puxada de tapete pra vida real. 

     Estou vivendo um momento de vida assim, repassando alguns fatos que vivi e percebendo verdades óbvias que, por estar envolvida, eu não conseguia perceber, e sinto que minhas fichas estão todas caindo, uma após a outra. 

     Não sei exatamente se choro ou se me alegro com os aprendizados.

   Toda essa dificuldade de enxergar tudo o que está na minha frente só me faz ficar ainda mais atenta e reservada, e evitar, ao máximo, a aproximação e o envolvimento com outras pessoas. 

        Se fosse possível, esse seria o momento no qual eu entraria em uma floresta bem densa e bem fechada e ficaria lá hibernando, convivendo apenas com plantas e animais e tentando entender o motivo de tanta coisa estar acontecendo agora na minha vida.

      Como isso não é possível, sigo em frente, procurando andar com mais cuidado e mais atenção as coisas óbvias que estão presentes no meu dia a dia.

   Por um mundo com mais pessoas que me ajudem a enxergar o óbvio sem me magoar.

Muita luz pra todos.

A importância do desapego

        No último sábado na minha aula de yoga a professora conversou conosco sobre a importância de aprendermos a compreender o desapego na nossa vida cotidiana: desapego das pessoas, das nossas ideias, das "nossas coisas", dos nossos medos e por aí...desapego de todas as coisas e situações que nos parecem ser tão nossas e tão estáveis...

      Esse assunto me faz refletir sobre muitas situações recentes que estou vivendo: estou em um momento da vida de aprender a me desfazer de muitas certezas, pessoas, objetos, sentimentos e ideias.

     Alguns "desfazimentos" são mais fáceis do que outros, mas a grande maioria é bem dolorosa e soa como pequenas "mortes".

    Cada dia que vivo, eu percebo a morte de uma porção de certezas e medos, pessoas que pareciam eternas e fundamentais na minha vida estão simplesmente partindo. Até as pessoas que são mais próximas e que mais amo estão me surpreendendo!! A certeza que eu tinha que as conhecia acabou de uma maneira muito brusca e sem avisar!!!

    Isso demonstra que, mesmo sabendo e estudando tanto sobre impermanência, o conceito ainda não foi bem compreendido no meu dia a dia. Cada sinal de presença da impermanência ainda me choca!! Me sinto frustrada. Traída. Em luto (mais uma vez).

   Tenho certeza que uma hora essa dor vai passar e deixará um profundo aprendizado, um deles, com certeza , é de que a  confiança também é algo impermanente, que necessita de um cuidado e atenção constantes.

   Escrevo aqui como um desabafo e na esperança de que isso possa vir a ajudar alguém.

Muita luz e "desfazimentos" felizes para todos.