Sobre a necessidade de conexão

             Não faz muito tempo que eu voltei a sair a noite com frequência. Eu simplesmente decido ir a algum lugar pra dançar e me divertir e geralmente vou sozinha.

    Muitas pessoas, e especialmente mulheres, estranham esse comportamento, o que eu mais escuto é "nossa que coragem",  "eu jamais sairia sozinha", "onde estão as tuas amigas?",  "tu não tens medo?". Não, eu respondo, geralmente sorrindo... não tenho medo algum e isso não me incomoda. Quanto as amigas? Tenho algumas poucas que ou estão casadas/namorando ou não curtem o mesmo tipo de balada que eu. E isso não me incomoda. Tá tudo bem.

    Esse estranhamento das pessoas é que me deixa um pouco desconfortável, não em relação a mim mesma, mas em relação ao fato de que parece que as pessoas só podem se divertir se estiverem em duplas ou em grupo...atire a primeira pedra quem nunca morreu de rir sozinho, vendo um filme ou uma série na tv... ou se cansou de tanto dançar na frente do espelho ou saiu pra correr e voltou pra casa renovado!!!! Há tantas possibilidades!!

    Alguém poderia dizer "mas,ninguém é feliz sozinho!!". Eu concordo com isso, acontece que eu posso me divertir sozinha, posso curtir a minha própria companhia sem sentir nem um pingo de culpa ou ficar triste por causa disso. Não estou perdendo nenhum amigo só estou curtindo a minha própria pessoa.

    Antes que alguém pense que eu passo a festa toda sozinha, já esclareço: sou extremamente sociável e por isso, sempre aparece alguém puxando conversa, e geralmente isso é muito divertido. Já conheci muita gente em fila de bar, na pista de dança e até no banheiro feminino!!! Basta estar aberto e se deixar conhecer... e devo confessar: somos todos muito parecidos!! Os mesmos medos, as mesmas dúvidas, gostos parecidos... conhecer gente nova é um exercício de vida muito interessante e que recomendo muito.

    Um dia desses, eu tava pensando sobre essas saídas e cheguei a conclusão que há uma coisa comum a todas elas, e que também está presente na minha vida: tenho uma necessidade muito forte de conexão!!!

    Preciso conhecer pessoas novas, ouvir suas estorias, conhecer seus gostos, ouvir como se expressam, do que gostam, o que lhes mete medo... e assim, ouvindo, tenho a oportunidade de me reconhecer e, desta forma, reescrever a minha própria estoria e me reinventar. 

  Quando conheço alguém, me reconecto com a minha humanidade: há algo novo em mim e fica um pouco de mim nessa outra pessoa.Nos (re)ligamos entrelaçamos as nossas vidas e, por um breve momento, fomos um.

Muita luz e conexões a todos!!!

Amor é ponte!!!

      O amor, em todas as suas manifestações é objeto de muita conversa. Todo mundo sempre tem algum conselho ou uma estoria pra contar.

     Um amor que deu certo, uma desilusão,uma paixão, uma nova relação, uma paquera... 

    Geralmente, quem procura conselhos está perdido e cheio de medo de errar, louco pra encontrar uma resposta, uma "receita de bolo" que sirva perfeitamente para solucionar o problema que está passando.

    No fundo, acredito que estamos todos muito cheio de medos: de se machucar, de se envolver, de sofrer, de magoar o outro... e esses medos atrapalham muito as relações.

     Ficamos como duas pessoas separadas por uma ponte, que ninguém tem coragem de atravessar. Há tantos "protocolos", tantas "cobranças" que nos impedem de dar um passo em direção ao outro. 

      Daí ficamos lado a lado, em mundos separados que eventualmente se encontram mas dificilmente se ligam.

      Uma outra alternativa, que dificilmente funciona, na minha opinião, é atravessar a ponte e entrar no mundo do outro, sem saber muito bem onde estamos pisando e nem se somos realmente bem vindos. Há uma perigosa mistura sem critérios, uma simbiose que já nasce com os dias contados, uma mistura que pode ser muito explosiva.

    Eu tenho uma visão particular sobre os relacionamentos. Acho que cada pessoa é um universo com seus encantos, mistérios e limitações e que renunciar a qualquer aspecto disso, em prol de um relacionamento é uma tragédia anunciada. Não se pode renunciar aquilo que se é, isso não seria nem um pouco justo ou honesto nem com a outra pessoa nem consigo mesmo. A gente pode sim, estabelecer novas formas de viver para se relacionar melhor com alguém.

     Daí, eu penso que uma solução seria considerar uma ponte, um terceiro caminho no qual dois mundos diferentes irão se encontrar e construir juntos um ponto de encontro: um universo que será repleto de experiências dos dois mundos, no qual a diplomacia deve ser exercida sem moderação.

    Amor é ponte. É conexão. É um voto de fé e confiança que se estabelece quando há um interesse maior do que puramente a atração física, há uma curiosidade e um interesse genuíno pelo mundo que um outro ser humano está abrindo e convidando a ser conhecido.

    É preciso coragem, persistência e muita paciência. Dar se a conhecer é uma tarefa apenas para quem tem muita fé.

    Eu acredito em pontes. Eu acredito nas pessoas e sem dúvida tenho fé no amor.

Desejo a todos muita luz e muitas pontes!!!!

Mude a sua perspectiva!!!

        Mudar a perspectiva sempre foi um desafio pra mim. O mais fácil e menos trabalhoso foi manter os velhos padrões: reagir sempre do mesmo jeito, responder da maneira mais conhecida.

      Responder de uma outra maneira aos acontecimentos da vida e agir diante das situações e não apenas reagir é um aprendizado que dá bastante trabalho. E causa uma certa dor e algum desconforto.

      É muito mais fácil e socialmente aceito, se irritar diante de uma pessoa que passa na sua frente em uma fila e criticar duramente uma pessoa que, por algum motivo que não é conhecido, evita cumprimentar seus colegas de trabalho.

        Eu, que já li tanta coisa a respeito, e já vivi tantas situações ainda me pego reagindo de maneira agressiva e preconceituosa: é muito fácil apontar os erros nas outras pessoas e simplesmente sair julgando e rotulando, do que tentar, fazer um esforço sincero de se colocar no lugar da outra pessoa.

     Não temos o hábito de agirmos com compaixão diante das pessoas que de alguma forma nos magoam, e tentar entender os motivos que as levaram a agir de determinada maneira. 

      Criticar, julgar, condenar é fácil. O trabalho maior e mais desafiador é conseguir perdoar, apoiar e até mesmo desculpar quem age assim sem que o mundo faça a gente se sentir um babaca. 

     Daí, escolhi o post acima pra ilustrar essa necessidade urgente de repensar a forma como interagirmos com o mundo: procurando se fixar menos nas coisas que não necessariamente deram errado, mas sim aconteceram de uma maneira que não estávamos esperando, e fazer um esforço para reconhecer que o que pareceu "dar errado" foi, na verdade, uma oportunidade de aprendizado e de deixar um espaço aberto para que outras coisas pudessem acontecer, espaço para o inesperado que com certeza virá da forma que menos esperarmos e quando nem estivermos aguardando alguma coisa.

Muita luz e novas perspectivas pra todos!!!