As marcas que a vida nos deixam



                Hoje eu fui fazer um exame médico. Situações assim sempre me deixam apreensiva porque nunca sei o que esperar e como me comportar. Tive que me adequar a todos os tempos de espera protocolares até ouvir o médico me chamar .
               Entrei no consultório um pouco desconfiada e aguardei que o médico começasse a me fazer perguntas e a me examinar. Eu já estava começando os procedimentos de rotina quando o médico me perguntou:  a senhora está bem? Sim , eu respondi, apenas um pouco dolorida. Marcas ,ele me disse, eu quero marcas, porque dor eu não posso medir. Me recompus, um pouco decepcionada mas, sai de lá pensando: e as marcas do meu coração não valem? E a dor de todos os desapontamentos e expectativas frustradas não contam?
             Sim , porque se formos considera las  passaremos muito tempo conversando sobre isso. Há marcas, machucados e cicatrizes de vários tamanhos e idades. Alguns já cicatrizados servem de lembrete, outros ainda doem um pouco em situações específicas e alguns, e talvez a maior parte, sejam as tais marcas que o médico falou. Cicatrizes que não podem ser mais apagadas ou disfarçadas e que servem pra contar a minha estória e são parte importante de mim. Confesso que, sempre que possível prefiro esconde – las mas sei que estão presente e bem vivas. Não me deixam amarga ou descrente, mas apenas um pouco mais cuidadosa e prevenida.
               Por isso, aí vai o meu recado para esse médico: sim, doutor,  tenho muitas marcas, bem sérias e bem profundas mas, o senhor precisaria me conhecer e me ver como um ser humano para percebê –las.

 Muita luz e poucas marcas pra vocês!
Laís Ribeiro 

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